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terça-feira, 17 de julho de 2012

ÍCONE DA TRANSFIGURAÇÃO


Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu ao monte Tabor com eles, conforme conta a Tradição e segundo narram as sagradas Escrituras:

"1....Jesus tomou Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou para um lugar à parte, sobre uma alta montanha.
2.E ali foi transfigurado diante deles. O seu rosto resplandeceu como o sol e as suas vestes tornaram-se alvas como a luz.
3.E eis que lhes apareceram Moisés e Elias conversando com ele.
4.Então Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: "Senhor, é bom estarmos aqui.
5.Ainda falava, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra e uma voz, que saía da nuvem, disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, ouvi-o!"
6.Se queres, levantarei aqui três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias".Os discípulos, ouvindo a voz, muito assustados, caíram com o rosto no chão.
7.Jesus chegou perto deles e, tocando-os, disse: "Levantai-vos e não tenhais medo".
8.Erguendo os olhos, não viram ninguém: Jesus estava sozinho."

Esse fato narrado por Mateus nos remete ao ícone visto acima: o ícone da Transfiguração do Senhor. Nos explica São João Crisóstomo por que subiram somente os três: "Pedro, porque amava a Jesus mais do que os outros, João porque era amado por Jesus mais do que os outros, e Tiago porque se unira na resposta do irmão: “Sim, podemos beber do teu cálice”"

Aparecem Moisés, representando a Lei, e Elias, representando os profetas, e conversam com Jesus, indicando que a primeira aliança(Antigo Testamento), aponta para a última(Novo Testamento). O pedido de Pedro para construir três tendas pode ser compreendido de uma forma mais profunda a partir da promessa de Deus de que armaria sua tenda no meio do seu povo nos tempos messiânicos. Assim, Pedro, que já tinha reconhecido Jesus como o Cristo, intui que os tempos messiânicos tinham chegado (cf. livro “Jesus de Nazaré” 1ª parte – Bento XVI).

De acordo com a Teologia Ortodoxa (que pessoalmente falando, é a mais considerável), a luz da Transfiguração é a "energia" divina, isto é, o resplandecer de Deus: o mesmo Deus que é inacessível aos homens, se torna participável da humanidade por uma loucura de amor.

De jesus saem também dois tipos de raios centremos-nos neles: primeiro, o raio circular verde: é o circulo da verdade, que ilumina o intelecto humano revelando-o a verdade. O segundo tipo de raio são representados pelos três raios de cor avermelhada que descem em direção aos discípulos. Esses raios têm a cor do coração humano, e infundem o amor divino no coração dos discípulos.

O esplendor divino é tal que joga os apóstolos ao chão.

Os apóstolos do tabor são considerados "os escolhidos dos escolhidos"

Tiago ele é o discípulo que está no centro e usa um manto vermelho que simboliza a glória do martírio. Ele foi o primeiro dos doze a ser martirizado, no ano 42 d.C.

Pedro está a direita de Tiago, que tem o braço estendido como quem fala, porque é ele que diz: “é bom, Senhor, estarmos aqui, façamos três tendas; uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.” Ele também tem um manto vermelho, que simboliza o martírio. Segundo a tradição, ele foi martirizado no ano 64 d.C., em Roma.

João é o único que não tem o manto vermelho. Foi o único entre os doze que não sofreu o martírio. Sua posição no ícone é peculiar, porque está olhando para Jesus transfigurado. É uma atitude profundamente contemplativa. Na representação dos animais do apocalipse – que estão ao redor do trono de Deus (Ap 4, 6-11) e que, ao longo do tempo, foram identificados como os evangelistas – João é a águia. Para os antigos, a águia era o único animal que podia olhar o sol diretamente. Assim, João foi reconhecido como o grande místico, que podia olhar diretamente para Jesus transfigurado.

domingo, 1 de julho de 2012

ÍCONE ORTODOXO CONTRA O ABORTO


Comecemos por sua parte esquerda, cujas cores de fundo são mais claras (em contraste bastante evidente com a parte direita, com cores escuras representando as trevas, o mal e a morte).


Jesus Cristo, vencedor da morte, surge protegendo e abençoando, abaixo dele, uma família cristã (é de se notar os trajes modernos que vestem). Família, aliás, numerosa (pai, mãe e seis filhos)


O pai carrega um dos filhos (como São José, que carrega o Menino Deus, tradicional imagem da iconografia cristã) e traz o alimento da família na mão esquerda. A mãe embala o filho ainda bebê e alimenta uma outra criança. São figuras tradicionais do pai e da mãe cristãos, essencial para o desenvolvimento dos filhos.


Acima da família cristã, surge a Sagrada Família de Nazaré. Maria carrega, em seu colo, o Senhor Deus, nascido de seu puríssimo ventre. São José, por sua vez, carrega uma criança envolta em panos brancos, símbolo, na iconografia tradicional, da alma das crianças inocentes assassinadas.


Abaixo da família cristã, numa imagem bastante contundente, temos a «Arrependida», isto é, a mãe que, tendo cometido o monstruoso crime do aborto, chora, agora, o filho que ela própria matou. Veste-se de vermelho, o que representa o sangue inocente por ela derramado.


Na parte esquerda inferior, há a figura da mãe solteira. De um lado, ela pecou e consentiu em relações pré-nupciais (talvez, seja por isto que parte de sua vestimenta é vermelha, cor da luxúria), mas, por outro lado, manteve-se firme frente à tentação de abortar e, agora, carrega (não sem o auxílio de Deus) a Cruz de ser mãe sem a ajuda e o suporte de um esposo. Cruz esta que, se bem vivida, será sua porta de entrada para o céu depois que findar sua peregrinação terrestre.


Na parte direita do ícone, vemos sentada, num trono vermelho, uma rainha, chamada de «Nova Herodes.» É o próprio aborto personificado, que, como o Herodes o fez outrora, promove a matança dos inocentes no mundo moderno. Ela espezinha e massacra vários bebês e recebe ainda outros (todos em posição fetal) que as mulheres lhe oferecem.


Estas mulheres estão à sua frente e personificam (de baixo para cima) a crueldade, a futilidade, a indiferença e a luxúria, sem as quais a monstruosidade do aborto não ocorreria.


Ao fundo, vemos um «médico». No original, a palavra é também grafada entre aspas, pois, sob a aparência de um médico (que deveria usar seus talentos apenas para salvar vidas), encontra-se um assassino frio, que passa uma espada no ventre de um bebê indefeso. Se o leitor reparar bem, seu bolso está cheio de dinheiro, pois se enriquece com a matança que ele próprio promove. Ao fundo, a imagem de um dragão, a Antiga Serpente, o chamado Diabo ou Satanás, que, sedutor do mundo inteiro, seduz o «médico», colocando-o ao seu serviço. Pois, todos os que se colocam a serviço, direto ou indireto, do aborto, estão a serviço direto de Satanás.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ÍCONE DA SANTÍSSIMA TRINDADE


Hoje conheceremos um dos ícones mais antigos da nossa Igreja - O Ícone da Santíssima Trindade
ESTRUTURA GEOMÉTRICA


Como todo ícone, este também foi "escrito" com base numa estrutura geométrica muito precisa, na qual cada elemento tem uma proporção estabelecida em relação aos outros e encontra o seu lugar segundo o seu significado e o seu valor simbólico. Essa estrutura dá equilíbrio e harmonia a todo o conjunto.
Toda composição do ícone de Rublev foi construída sobre a Cruz, que constitui a estrutura geométrica principal. A sua vertical, como eixo central (E-P), liga a árvore, a cabeça do anjo central, o cálice e o retângulo dos mártires. A linha horizontal da cruz (F-G), liga a cabeça dos anjos laterais, passando pela fronte do anjo central, desde a arquitetura até o monte.

Os anjos aparecem sob um círculo que indica a plenitude e a perfeição e sublinha a circularidade dos olhares de Amor das Três Pessoas. A mão do anjo central é o centro da circunferência, onde estão as três cabeças.

Também o cálice, com a cabeça do cordeiro imolado sobre o altar, está dentro de um círculo, em torno do qual se concentram todos os outros, constituindo assim, o centro móvem do ícone. Acima da cabeça do anjo central (E) forma a ponta do triângulo, cuja base (A-B) é a linha inferior do ícone. O segundo triângulo se apresenta inverso. Sua base (C-D) é a linha superior do ícone.
Todo o ícone está inscrito em um octógono. "O número oito simboliza o poder celestial na Terra, o dia após o sétimo dia da criação, a ressurreição de Cristo e o começo da perfeição. A figura geométrica octógono, já é símbolo da perfeição desde a Antiguidade. É a fusão entre o infinito, o céu (círculo) e a área delimitada, os quatro pontos cardeais terrenos (quadrado)", o número simbólico dos quatro evangelistas: é o sinal da universalidade da Palavra.

O espaço compreendido entre os dois anjos laterais assume a forma de um cálice que sobe de baixo: o Pai e o Espírito Santo "contém" o Corpo e o Sangue de Cristo.


OS TRÊS ANJOS
Os três anjos, perfeitamente iguais e, todavia diferenciados, representam um só Deus em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
É próprio da Santíssima Trindade diversificar, quanto ser una e indivisível, na sua essência e nas suas manifestações, embora na diversidade das Pessoas. Conhecemos o Pai através do Filho:Quem me vê, vê o Pai (Jo 14,19). Conhecemos o Filho através do Espírito Santo: Ninguém pode dizer Jesus Cristo é o Senhor, senão por meio do Espírito Santo (1 Cor 12, 3).

Os cetros idênticos indicam a igualdade do poder do qual cada anjo é dotado. A diversidade é expressa através das cores das roupas, mas sobretudo pela atitude pessoal de cada um em relação aos outros.

No anjo da esquerda se reconhece a figura Pai, no anjo central a do Filho e no anjo da direita a figura do Espírito Santo.
O PAI
O anjo da esquerda, o Pai, veste um manto lilás sobre uma túnica azul, símbolo da sua divindade. O lilás é uma cor evanescente, quase transparente, sinal do mistério e da transcendência.


O seu manto cobre os seus dois ombros, ao contrário do Filho e do Espírito, porque Elenão é enviado, mas envia os outros. Este seu envio é indicado também é indicado pelo pé esquerdo, que parece estar iniciando um passo de dança, ao qual o Espírito, enviado ao mundo depois do Filho, responde.

Tudo converge para ele, como para a fonte: os outros dois anjos, a rocha, a casa e a árvore. Está estático, reto, porque esta pessoa é a origem de si mesma: é o sinal da majestade e a referência para os outros dois.

O gesto da mão e o olhar parecem confiar uma missão ao Filho que a acolhe, curvado, em sinal de consentimento. As suas mão não tocam a Terra-altar, mas a abençoam com os dois dedos da mão direita levantados; Ele não está no mundo. A cabeça inclinada indica que ele acolhe a oferta amorosa do Filho.

O FILHO
O anjo central, o Filho, traja a túnica vermelha: simbolo da natureza humana assumida na encarnação; o manto azul é sinal da natureza divina da qual se "vestiu" depois da sua vida na terra e cobre um só ombro, porque Ele é enviado pelo Pai. A estola dourada indica a sua missão vitoriosa do Cristo "sumo sacerdote", que se deu a si mesmo para a salvação do mundo e ressuscitou.

O seu corpo curvado e o olhar de Amor voltado para o Pai indicam a aceitação e a docilidade à vontade paterna. Está comunicando com o Pai a respeito da missão que cumpriu.

A sua mão direita, apoiada à Terra-altar, é a mais próxima do cálice da oferta, porque ele é a oferta simbolizada pela cabeça do cordeiro. A mão reproduz o gesto de abençoar do Pai e o ato de apoiá-la à Terra-altar, indica a sua descida ao mundo através da encarnação; os dois dedos são símbolo das suas duas naturezas: Ele é plenamente Deus e plenamente homem.
O ESPÍRITO SANTO
O anjo da direita, o Espírito Santo, traz a túnica azul, símbolo da sua divindade, um manto verde-água, cor da vida, do crescimento e da fertilidade. No campo espiritual o verde é o símbolo da força vivificante do Espírito, que ressuscitou Cristo e comunicou ao mundo a plenitude do significado da Ressurreição.

É Ele quem dá a vida: o Espírito de Amor e da comunhão. Dos três, este é o anjo que tem a expressão mais reservada.

A sua figura é a mais curvada sobre a mesa, em atitude de escuta, de humildade e de docilidade. Revela-nos um aspecto novo do Amor, tipicamente feminino, que é também necessidade de ser acolhido, protegido, para ser fecundado.

A sua mão pendente sobre a Terra-altar indica a direção da bênção: o mundo ao qual o Espírito dá vida e crescimento, fazendo germinar o cálice do sacrifício e o seu fruto.

O Espírito está participando profundamente do diálogo divino e está pronto para ser enviado ao mundo para continuar a obra do Filho. O manto, apoiado sobre um dos seus ombros e o pé que está respondendo à dança iniciada pelo Pai, são símbolos do seu estar preparado para partir para cumprir a missão que lhe foi confiada: Quando o Espírito vier, Ele vos guiará a verdade toda inteira... dirá tudo que já foi dito e lhes anunciará as coisas futuras (Jo 16, 13).Todo o simbolismo iconográfico do ícone da Trindade nos mostra a tese eclesiológica fundamental: a Igreja é uma revelação do Pai no Filho e no Espírito Santo.


OS OUTROS ELEMENTOS

Atrás do Pai se vê a casa de Abraão, que se tornou templo, morada do Pai e símbolo da Igreja, sua Filha, porque "corpo" de Cristo, segundo a teologia paulina.

O carvalho de Mambré se transforma na árvore da vida: a cruz de Cristo, o homem novo, pagou o resgate da humanidade.

A rocha-monte atrás do Espírito Santo é, ao mesmo tempo, símbolo de proteção, de lugar "teofânico", isto é, lugar onde Deus se manivesta e símbolo da ascensão espiritual.

O vitelo ofertado por Sara numa bandeja se torna o cálice eucarístico.

O ouro, símbolo da luz divina: o fundo e as auréolas douradas são símbolos da luz divina, como o sol é fonte de toda luz e cor.

No ícone a luz não é natural, mas espiritual; provém da graça recebida, por meio do Espírito, antes de tudo pelo iconógrafo, na contemplação do mistério que ele vai representar, depois por quem contempla o ícone com a mesma atitude de oração.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

ÍCONE DE PENTECOSTES


Conheçamos o ícone do tempo litúrgico que a nossa igreja vivencia: O Ícone de Pentecostes



1 - Na parte superior do ícone estão pintadas duas casas, semelhantes a torres. Desde modo, quer se dar a entender que a cena se desenvolveu no piso superior, onde aconteceu a Ultima Ceia, que após a Ressurreição do Senhor se converteu em lugar de encontro dos discípulos e de reunião e de oração dos Apóstolo

2 - Os Apóstolos começaram a anunciar a Palavra a partir do momento em que receberam o Espírito Santo e, por estarem unidos, representavam a unidade espiritual dos Sínodos futuros. De forma análoga os ícones que representam os Concílios Ecumênicos reproduzem o mesmo esquema iconográfico.


3 - No centro do semi-circulo, imerso na obscuridade, aparece um ancião, com trajes régios e que segura entre suas mãos um grande lenço branco. Em alguns ícones, sobre ele, aparecem doze rolos que simbolizam as pregações apostólicas.

4 - O Rei, então, no centro do semicírculo é o mundo, posto que ele detém o mandato celeste sobre a terra.
5 - O ancião está representado de forma a lembrar a figura do rei David, que representa os "muitos profetas e justos que desejaram ver o que vistes e não viram, e escutar o que escutastes, e não escutaram".


6 - Os doze estão em geral dispostos nas duas alas do semicírculo e entre os dois grupos está um lugar vazio. O trono vazio simboliza o trono preparado para a segunda vinda de Cristo. Neste caso, a representação assume o significado do Juízo Final, onde os doze se sentarão para julgar as tribos de Israel.

ÍCONE DA ANUNCIAÇÃO

Hoje iremos conhecer um dos ícones mais importantes da igreja do oriente: o ícone da anunciação do anjo a Maria.
Abaixo, encontraremos a explicação de cada parte dessa maravilha que é o ícone da anunciação, que é rico em significado e beleza.

1 - A Virgem, nos ícones, é representada jovem, e Em geral, a cabeça da Virgem está ligeiramente inclinada, para dar cumprimento ao Salmo: "Escuta filha, presta ouvidos, esquece a casa de teu pai: ao Rei lhe agrada tua beleza"(Sl 46, 11)


2 - Do alto vem um raio pousar sobre ela. Representa o Espírito, muitas vezes em forma de pomba, porém não é um raio de luz e sim de sombra: " O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com sua sombra."


3 - A cor vermelha do manto virginal simboliza o sangue, o princípio do vida, beleza, juventude e amor. É a cor do Espírito Santo, a cor do fogo. É símbolo do sacrifício e do altruísmo. É um vermelho amarronzado.
4 - O manto do anjo é vermelho; de igual cor é a lã que Maria fia e representa o Cristo sendo tecido em seu seio. A cor vermelha está reservada à mais alta dignidade do mundo antigo: o imperador - que é o poder maior.
5 - O ouro simboliza a divindade, por isso traz um bracelete de ouro no braço.

6 - Sobre o manto, aparecem três estrelas: uma na frente e as outras, uma em cada ombro. Correspondem ao gesto trinitário da mão direita do anjo. Representam o sinal da santificação da Trindade, qual Mãe de Deus. Ela era virgem antes e depois do parto, a única sempre virgem no Espírito, na alma e no corpo.


7 - Maria está sentada sobre um trono e seus pés se apóiam em um pedestal, pois ela foi colocada acima da natureza angelical. Calça sapatos de cor púrpura, a mesma cor do manto do anjo e do véu que esta acima dos edifícios. Esta cor vermelha púrpura quer sublinhar seu caráter régio. Ela é a Mãe do Imperador e do Senhor do Universo.

8 - A Virgem fia a púrpura. Tece misticamente a vestidura púrpura do corpo do Salvador em seu interior, Rei Deus e Homem.

9 - Ele segura com a mão esquerda um longo bastão, símbolo da autoridade e dignidade do indivíduo, do mensageiro, do peregrino. O anjo corresponde a estas características. A mão direita se estende como que para um anúncio, sinal visível de uma palavra que passa de um individuo a outro.
10 - Seus dedos, freqüentemente, estão dispostos não como quem esta falando, mas como alguém que está abençoando; um gesto bizantino de benção, carregado de simbologia. Os três dedos abertos (indicador, médio e indicador) recordam a Trindade, e que Cristo é uma das três pessoas divinas. Os dois dedos recolhidos (polegar e anular) querem recordar que, em Cristo, subsiste duas naturezas (a humana e a divina) porém, nas representações da Anunciação, nem sempre estão visíveis, porque o mistério da Encarnação estava se dando.

11 - Ao fundo vemos edifícios sendo ligados por um véu vermelho. O véu vermelho, que as vezes cobre a Virgem e que está situado sobre os Edifícios, é uma alusão ao véu do Templo e símbolo do véu do corpo do Salvador que estava sobre ela.
12 - O Edifício que está atrás do Anjo faz referência aos templos pagãos, incluindo o de Jerusalém.

13 - O poço esta no ícone para sublinhar a disponibilidade do criado para receber a água da vida: Cristo em Maria. O poço, em culturas antigas e, em particular, a hebréia, tem atributos sagrados, pois realiza uma síntese das três ordens cósmicas: o céu, a terra e o inferno; e os três elementos: água, terra e ar. Realiza uma escala de salvação que une entre eles os três planos do criado

segunda-feira, 21 de maio de 2012

NOSSA SENHORA DE PENTECOSTES



Se aproxima o tempo de Pentecostes e nada mais favorável do que falar daquela que foi a esposa fidelíssima do Espírito Santo e que intercedeu para que Ele viesse sobre os apóstolos naquele dia do nascimento da Igreja – Nossa Senhora de Pentecostes

1 – Inicialmente se percebe o fundo dourado, que representa sempre nos ícones o céu, significando, neste ícone que o céu desceu sobre os apóstolos por meio da presença do Espírito Santo naquele dia.
2 – As três estrelas postas em sua cabeça e ombros representam sua classificação assim como chamavam os santos padres – A theotókhos, a Mãe de Deus.
3 – O manto da virgem é todo vermelho e cobre toda a sua cabeça e quase todo o seu corpo, significando que Ela é a repleta do Espírito Santo
4 – A parte azul de seu manto e o fato de Ela estar mais elevada que os apóstolos representa a sua assunção ao céu.
5 – Suas mãos abertas e para o alto representam um ato de louvor a Deus pai, e lembrando da maneira como os primeiros cristãos rezavam, Na qual Ela é modelo
6 – Seus olhos bem abertos mostram sua total atenção ao Deus que se revela a Ela
7 – Sua pequena boca demonstra a Mulher de silêncio que Ela era
8 – Na imagem está escrito o que se narra nos Atos dos Apóstolos: “E todos ficaram repletos do Espírito Santo”

quarta-feira, 16 de maio de 2012

ÍCONE DA NATIVIDADE




O ícone da Natividade é o prólogo dessa grande epopéia que é a história da Salvação. E, como no Prólogo dos poemas encontramos sintetizados os pontos destacados do que se cantará, assim, no ícone da Natividade contemplamos o conjunto dos mistérios do cristianismo: a encarnação, a morte e a ressurreição.
1- A cena está enquadrada por uma montanha em forma piramidal que se estende por todo espaço visual do ícone. É a montanha messiânica tal como Isaias o profetizou: “O Monte do Senhor será erigido acima das montanhas e será mais alto que as colinas”(Is2,2). A Montanha do Senhor, resplandecente, vem ao mundo, transpassa e transcende cada colina e cada montanha, quer dizer, a altura dos Anjos e dos homens.
2 - Acima se fazem representar um grupo de anjos que cantam, contemplando o céu e a terra: «Glória a Deus nas alturas e na Terra paz aos homens que o Senhor ama». Representam a a natureza angélica que acode o evento extraordinário; um deles destacado do grupo, encontra-se falando com um ou mais pastores.
3 - O anjo da direita anuncia ao pastor a grande alegria da salvação e o faz estendendo a mão e fazendo o sinal da encarnação trinitária: dois dedos juntos e três tocando-se pelas pontas. Seu significado é a salvação vinda de Deus Uno e Trino, através da encarnação de Cristo. O pastor e o Anjo estão em diálogo. Com a encarnação de Jesus Cristo, o mundo divino e o humano iniciam um dialogo que nunca mais se perderá. Deus estará no meio dos homens Ele mesmo lhes falará, e cada homem poderá falar diretamente com Deus, sem intermediários.
4 - O Pastor, ou pastores, representam o povo «que caminha nas trevas e que viu uma grande luz» (Is 9,1). Com efeito, havia aparecido a luz sobre os habitantes da terra de sombras e de morte. Disse o anjo: «Anuncio-lhes uma grande alegria, lhes trago uma boa notícia, para todo o povo, pois nasceu para vós um Salvador, que é o Messias,o Senhor, na cidade de Davi. Isto tereis como sinal: encontrareis um menino envolto em panos e reclinado num presépio» (Os 10,12; Is 61,11).
5 -No centro do ícone se abre uma gruta que mostra as entranhas da montanha. Representa o inferno e a morte sobre as quais encontra-se Cristo, e que tentam engoli-Lo. É a mesma voracidade obscura que se fala no ícone da Ressurreição.
6 - Fora da gruta está representada a Mãe de Deus. Ela é a Rainha que está erguida à tua direita posto que ela é a Mãe do Rei, aquela que goza da divina confiança e que realizou nela maravilhas. A Virgem geralmente não olha para o menino, mas para o infinito, custodiando e refletindo em seu coração tudo aquilo que de extraordinário aconteceu com ela. (Lc 2,19) Sobre seu rosto se lê a tristeza humana de uma mãe que queria dar algo maior a seu Senhor.
7 - Maria estava vestida com seu manto donde as estrelas (frente a ambos os ombros) proclamam sua virgindade antes e depois do parto. Representam o sinal da santificação trabalhada nela pela Trindade para que fosse progenitora de Deus.
8 - Entre a Virgem e a entrada da Gruta aparece o Menino envolto em panos colocado mais que em um presépio, em um sepulcro de forma tradicionalmente retilíneo.Os panos do menino são as vendas mortuárias que, depois, aparecerão espalhadas pelo sepulcro, quando ressuscitou. Este Menino é, doravante, o que vai vencer a morte com sua Ressurreição.
9 - No interior da gruta, se distinguem o boi e o asno.. o boi representa o culto a Mitra; o asno o culto a luxúria, representação daqueles que, tendo o mistério da Encarnação de Deus diante de si, não sabem vê-lo ou não querem vê-lo, daí seu olhar inexpressível se dirigem a um ponto perdido. São também a representação das forças instintivas irracionais que emergem das profundezas da alma humana e levam ao pecado, e que Cristo abrandará através de sua vida, morte e Ressurreição. Por isso, o boi e o asno são gordos e Maria que á a Toda Santa é magra.
10 - Na parte inferior aparece José pensativo e afastado. Diante de um homem vestido com peles e apoiado em um bastão. José personifica o drama humano: o homem ante o mistério. José se interroga frente ao mistério. José duvida do possível adultério de Maria.
O Pastor que fala com José apoiado num bastão representa o diabo, que alimenta e confirma os pensamentos de José, já que é o diabo que suscita uma tormenta de sentimentos encontrados no interior de José. O diabo, vestido com peles de cabra, o tenta sobre a virgindade de Maria. Como todo tentador é insinuante, amável e sedutor, aparece o diabo sob forma tranqüila, coloquial e amistosa com José. Ele está vulnerável sobre a decisão que tem de tomar. Toda tentação nos faz vacilar, se nosso olhar não está posto em Cristo e sobre nós mesmos. 
11 - Junto ao pastor-demônio, há um arvoredo que brota de um tronco seco. O Arvoredo representa uma resposta às palavras do pastor-demônio. «Deus não é escravo das leis que regulam a vegetação; é seu Criador e, se fez brotar a vara de Araão, muito mais, pode fazer com que uma Virgem floresça e dê frutos». (Cirilo de Jerusalém. Catequese XII, 28).
12 - A nuvem evoca a presença de Deus que pôs nas sombras seu esconderijo. (Sl 17, 12) A nuvem é de grande tradição e de grande simbolismo no Antigo Testamento, e sempre revela a presença misteriosa de Deus. Da nuvem, o céu aberto faz descer um facho de luz até a terra que se divide em três raios em direção ao o menino: é a Santíssima Trindade que se manifesta como luz.
13 - Sob os Anjos, que cantam a glória, aparecem à cavalo os três reis do Oriente, guiados por uma estrela que olham e que tem a forma de cruz dourada e gloriosa; seguem Aquele que morrerá e ressuscitará e dará a toda humanidade a entrada para a vida eterna. Os magos representam os homens excluídos da Antiga Aliança que o Novo Reino Messiânico ha de incluir. Os santos, os justos, ainda que não sejam de Israel, são agradáveis a Deus, e Cristo estende sua predileção e primogenitura a todos os povos, representados pelos magos. 
14 - Na parte inferior deste ícone há duas mulheres que preparam o banho do menino. Segundo a tradição, a comadre é Eva que, junto a Salomé, se ocupa do Menino. Eva dá a vida mortal, Maria a imortal. Maria põe nas mãos de Eva a Vida Imortal: seu Filho.
15 - A Imagem do banho ganhou um significado todo especial: a imagem do Batismo. O recipiente onde o menino é banhado tem a forma de uma pia batismal, prefiguração de sua morte e descida aos infernos.

ÍCONE DA RESSURREIÇÃO



O ícone da Ressurreição de Cristo, é a representação gráfica deste grande mistério: a descida do Senhor à mansão dos mortos para libertar as almas dos justos, segundo narra São Pedro em I Pd 3, 18-20: “18.Com efeito, também Cristo morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, a fim de vos conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito,19.no qual foi também pregar aos espíritos em prisão,20.a saber, aos que foram incrédulos outrora, nos dias de Noé, quando Deus, em sua longanimidade, contemporizava com eles, enquanto Noé construía a arca, na qual poucas pessoas, isto é, oito, foram salvas por meio da água.”

Ou seja, Jesus veio trazer a salvação também para aqueles que pertenciam ao antigo testamento, mostrando o grande poderio salvífico de Jesus. Agora vejamos o significado desta grande riqueza:

1- Aos pés de Cristo aparecem desencaixadas as portas da mansão dos mortos

2- No primeiro plano, respectivamente à sua direita e à sua esquerda, estão Adão e Eva, vestida de encarnado como símbolo de toda a humanidade, ela que é a mãe de todos os viventes

3- Atrás dos primeiros pais aparecem os justos. Alguns são facilmente identificáveis pela forma como são representados. Com efeito, junto de Adão e na primeira fila são identificáveis o rei Davi e seu filho Salomão.

4- Na segunda fila são igualmente reconhecíveis João Batista e Daniel. Atrás de Eva estão Moisés , com as tábuas da lei nas mãos, Jonas e outros profetas, que habitam o Hades(Mansão dos Mortos).

5- Aos pés de Cristo Glorioso se abre o Hades como uma furna negra.

6- Ao fundo elevam-se algumas montanhas, que além de significar a profundidade dos infernos, simboliza a solidez dos fundamentos de nossa fé. Perceba que a montanha da direita se inclina para a montanha da esquerda, pretendendo evocar simbolicamente a Cristo como a segunda pessoa da Santíssima Trindade.

7- Na imagem de Jesus Cristo, suas vestes são brancas, o branco é o símbolo da revelação, da transfiguração deslumbrante. Se remetem a mesma brancura das vestes de Jesus em sua transfiguração no monte Tabor, diante de Pedro, Tiago e João.

terça-feira, 8 de maio de 2012

SEGUNDO ÍCONE - NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO




1 - Atemorizado pela visão de dois Anjos que lhe mostram os instrumentos da Paixão, o Menino Jesus tem corrido até sua Mãe, perdendo quase uma de suas pequenas sandálias em sua precipitada fuga.
2 - Seu olhar esta fixo não em Jesus mas sim em nós.
3 -  Iniciais em grego para "Mãe de Deus"
4 - Corona. Foi anexada ao quadro original por ordem da Santa Sede em 1867. É um tributo aos muitos milagres feitos por nossa Senhora sob a advocação do "Perpétuo Socorro".
5 - Estrela no véu da Virgem. Ela é a Estrela do Mar, que trouxe a luz da luz ao mundo em trevas, a estrela que nos conduz ao porto seguro do Céu.
6 - Inicial grega para "São Miguel, o Arcanjo". Sustenta a lança e a esponja da Paixão de Cristo.
7 - Inicial grega para "São Gabriel, o Arcanjo". Sustenta a cruz e os cravos.
8 - A boca de Maria. É pequena para significar um recolhimento silêncioso. Ela fala pouco.
9 - Os olhos de Maria. São grandes para todos nossos problemas. Estão voltados sempre até nós.
10 - Túnica vermelha. As cores que levavam a virgens nos tempos de Cristo.
11 - Iniciais griegas para "Jesus Cristo".
12 - As mãos de Cristo. Com as palmas para baixo e dentro das de sua Mãe, indicam que as graças da Redenção estão sob sua custódia.
13 - Fundo amarelo. É o simbolo do céu, onde Jesus e Maria estão agora entronizados. O amarelo também brilha através de suas roupas, mostrando assim a felicidade celestial que pode trazer aos cansados corações humanos.
14 - Manto azul escuro. É a cor que usavam a mães na Palestina. Maria é as duas coisas: Virgem e Mãe.
15 - Mão esquerda de Maria. Sustenta de maneira forte a Cristo. Ela é sua Mãe. É uma mão consoladora para todo o que acuda a ela.
16 - Sandália caida. Tem quase perdido Jesus sua sandália correndo até Maria em busca de consolo ante o pensamento de sua Paixão

quinta-feira, 3 de maio de 2012

PRIMEIRO ÍCONE - PANTOCRATOR


O SIGNIFICADO DO ÍCONE – PANTOCRATOR



SIGNIFICADO DO NOME
A palavra Pantocrator se origina do grego que significa “onipotente” ou como é mais adotado, “aquele que tudo rege”. Este termo se origina, dentre outras passagens, mas nesta de modo especial, em Ap 11,17;21,22, se referindo ao Verbo encarnado, Juiz e Redentor universal.


SIGNIFICADO DO ÍCONE
Apresenta uma auréola com um crucifixo ao fundo, lembrando-se do sacrifício do Cristo na Cruz, pelo qual remiu a humanidade.
A coroa dourada, de origem grega, representa, em todo ícone, a Santidade do personagem.



Sua mão direita está abençoando da maneira grega, lembrando do Cristo que é misericórdia e que abençoa.
Na mão direita o indicador e o médio juntos, representando a dupla natureza de Cristo, a humana e a divina.
Na mão direita ainda, o anular, o mínimo e o polegar também estão juntos, representando que O mesmo é Deus, lembrando-se da Santíssima Trindade.
No seu lado esquerdo, está em sua mão o livro da lei, a palavra de Deus, lembrando sua Justiça.



São apresentadas duas feições em seu rosto, do lado direito, um olhar compassivo e misericordioso, de forma a lembrar da bondade desse Deus que é misericórdia.
Na outra parte do rosto, apresenta-se uma feição mais irada, lembrando-se do Deus que é Justo e que vê cada um de nossos atos e julga-os com justiça.



A imagem do Cristo se destaca pelo fundo dourado, significando a glória dos Céus, indicando onde Ele está e onde nos devemos ter a nossa meta.
Acima da imagem, estão as inscrições com as quais Deus se apresentou a Moisés no Monte Sinai em Ex 3, 14 – “Eu Sou Aquele que Sou”, ou “Eu Sou o Existente”




terça-feira, 1 de maio de 2012

O QUE É ICONOGRAFIA CRISTÃ?


O QUE É ICONOGRAFIA CRISTÃ?


  Segundo o Concílio de Nicéia II, os ícones tem o objetivo de retratar co cores e pinturas aquilo que o evangelho expressa em palavras, gerando uma mescla de arte, cultura, fé, história e etc... Este tipo de arte sacra tem origem na igreja do oriente, de forma que na parte ocidental da igreja tem-se mais presente as imagens, e não os ícones. Os ícones apresentam uma riqueza única de significado, pois ele tenta expressar, através da arte, a fé e os dogmas da igreja. 
  No oriente, os iconógrafos, seguindo os ensinamentos do mestre Dyonisios e, em geral, as determinações da igreja, buscam reproduzir as mesmas passagens dos evangelhos, omitindo qualquer experiência ou sentimento pessoal vivido, como é o caso das imagens, de forma que o iconógrafo tente expressar o conteúdo dos Evangelhos.
  Enfim, o ícone expressa através da pintura a fé da igreja, onde cada detalhe pode expressar uma riqueza enorme de significados.
  Quem desejar se aprofundar mais no conteúdo, busque no site: http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/iconografia/index.html